O que sabemos sobre a relação entre microbiota intestinal e a COVID-19

Atualizado: 16 de Set de 2020

Na luta atual contra o COVID-19, os mecanismos de defesa do hospedeiro podem determinar a gravidade e a evolução da doença.


coronavirus

A COVID-19 ataca principalmente o sistema respiratório e os sintomas mais comuns no início da doença são febre, tosse, fadiga, dor muscular, falta de ar, dor de cabeça, dor de estômago, perda de paladar e cheiro e alguns pacientes também relatam sintomas gastrointestinais, como diarreia e náuseas.


A transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2) costuma ocorrer pelo ar ou por contato, seja pessoal (toque ou aperto de mão) ou com superfícies contaminadas com secreções como gotículas de saliva ou muco nasal, oriundos de espirro ou tosse seguido de contato com a boca, nariz ou olhos, porém, já existem evidências de que o novo coronavírus pode ser propagado pelas fezes.


Por que vale a pena levar em conta a microbiota intestinal no combate ao COVID-19


Novos estudos sugerem que o intestino também pode ter um papel relevante tanto na evolução da COVID-19 quanto na transmissão fecal oral. O RNA viral (material genético do vírus) do SARS-CoV-2 foi encontrado nas fezes de pacientes previamente infectados, mesmo após negativação no exame do trato respiratório. De acordo com alguns autores, a diarreia estaria associada a ligação da glicoproteína S do SARS-CoV-2 ao receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2) presente nos enterócitos (célula epitelial da camada superficial do intestino delgado e intestino grosso).


Curiosamente, o ECA2 também é altamente expresso nas células do pulmão e células epiteliais do esôfago. Esses resultados indicam, juntamente com o sistema respiratório, que o sistema digestivo é uma rota potencial para infecção pelo SARS-CoV-2.

O sistema imunológico do intestino é uma das mais extensas redes de células imunológicas do corpo. O desequilíbrio da microbiota intestinal acarreta uma cascata de alterações nas funções do organismo que antes atuavam de forma harmônica, levando a processos inflamatórios, e consequentemente, favorecendo a permeabilidade intestinal.

mulher com dor na barriga

Quando o revestimento intestinal é comprometido, nossos microrganismos intestinais podem escapar e acabar em locais a que não pertencem, como outros órgãos.


À medida que se acumulam nessas áreas, as toxinas e metabólitos secretados podem levar à reações inflamatórias que danificam os tecidos e levam ao desenvolvimento de condições crônicas. Esta é uma das muitas razões pelas quais é importante o restabelecimento, o mais rápido possível, do revestimento intestinal.


Uma microbiota em desequilíbrio pode criar um ambiente inflamatório que o novo coronavírus pode explorar. A replicação viral no intestino determina um aumento exponencial da carga viral na mucosa digestiva, levando a uma perda da integridade da barreira intestinal e uma forte produção de citocinas pró-inflamatórias. A inflamação pode desencadear uma reação imunológica descontrolada que pode causar mais danos do que o próprio vírus, incluindo lesão de múltiplos órgãos.