Por que testar pessoas assintomáticas é importante no combate ao coronavírus?

Atualizado: há 7 dias

A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a afirmar que as pessoas infectadas pelo novo coronavírus, mas que não possuem sintomas, também transmitem o vírus.


Para a OMS, é certo que mesmo as pessoas sem sintomas, mas que testam positivo, são capazes de passar o novo coronavírus (SARS-CoV-2) para outros indivíduos. O que ainda não se sabe é o potencial de transmissão dos assintomáticos.


As incertezas demonstram que é importante a testagem em massa também nas pessoas que não possuem sintomas como uma das medidas de bloqueio para reduzir a transmissão do vírus.


A identificação rápida de alguém infectado permite monitorar esse indivíduo e iniciar de forma precoce o tratamento em caso de evolução da doença, bem como a possibilidade de monitorar também as pessoas que mantiveram contato próximo com este indivíduo assintomático, reduzindo o potencial de transmissão comunitário.


A testagem nesse grupo também possibilita projeções mais assertivas dos órgãos de saúde quanto a real situação da pandemia e demandas do sistema. A medida também contribui para o retorno seguro às atividades econômicas.


Os assintomáticos parecem ser peça importante para a dispersão do vírus, tanto na perspectiva populacional quanto no contexto econômico e dos serviços essenciais (que não podem parar), colocando em risco a saúde dos demais colaboradores e das operações dessas atividades.


Por isso, estabelecer processos e protocolos para o monitoramento e identificação em massa dos casos assintomáticos, mas portadores do vírus SARS-CoV-2, torna-se fundamental para o controle da dispersão do vírus na população e uma ferramenta de gestão de risco para indústrias e serviços essenciais.

Tipos de testes disponíveis para detecção do SARS-Cov-19

A detecção precoce da infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) é fundamental para tratar e frear o avanço da Covid-19, no Brasil e no mundo. O problema é que os primeiros sintomas da infecção podem aparecer entre 2 e 14 dias depois da exposição ao vírus, com período médio de incubação de cinco dias. Ou seja, para combater a disseminação do vírus, os testes de diagnóstico para o coronavírus se tornaram ferramenta essencial, juntamente com o distanciamento social.


Isto porque, quanto antes tratado, maiores são as chances de tratamento e recuperação do paciente. O SARS-CoV-2, assim como outras síndromes respiratórias graves, pode causar desde um resfriado simples até doenças sérias como a pneumonia aguda.


Estudos demonstram que a Covid-19 pode ser assintomática em até 89% dos casos, mas é capaz de gerar manifestações perigosas como falta de ar, tosse, hipóxia (oxigênio insuficiente nos tecidos para manter as funções corporais) e febre, colocando em risco especialmente pessoas com comorbidades, dentre elas, portadores de doenças crônicas, cardiopatias, obesidade e asma.


Mas você sabe quais são as principais formas de identificação do vírus no organismo, o que as difere e em qual estágio da contaminação cada uma delas é indicada para gerar resultado confiável? Separamos informações de como funcionam as principais formas de identificação do novo coronavírus.


  • Teste Molecular (RT-PCR)

Em caso de exposição ao SARS-Cov-2, nos primeiros dias, a quantidade de vírus no organismo é tão baixa que nenhum teste consegue identificar a infecção. Após alguns dias, a quantidade de vírus aumenta e, assim, é possível detectá-lo pelo teste molecular (RT-PCR). Este modelo de testagem detecta o material genético do vírus (RNA) e, no caso do SARS-Cov-2, se caracteriza por elevada sensibilidade e especificidade, sendo que doentes com maior carga viral podem ter maior probabilidade de um teste positivo.


O teste RT-PCR permite a identificação de indivíduos assintomáticos, mas que sejam portadores do vírus da COVID-19.

Esse teste exige instalações e técnicas laboratoriais específicas, com níveis restritos de biossegurança, e é capaz de detectar diretamente a presença de componentes específicos do genoma do vírus. Sua aplicação deve ser utilizada para diagnóstico da doença nas fases assintomática, pré-sintomática ou sintomática, preferencialmente por volta do 2º ao 7º dia da infecção (etapa de aumento da carga viral).



  • Testes rápidos

Os testes rápidos podem detectar tanto proteínas do próprio vírus (antígenos) quanto proteínas produzidas pelo organismo em resposta ao vírus (anticorpos - lgG e lgM):


Teste rápido (antígeno): para o teste rápido (antígeno) é necessário uma quantidade de vírus muito grande no corpo e por isso ele só consegue ser detectado em pacientes com alta carga viral. Nesse teste, pouco sensível, é possível detectar alguma proteína do vírus no organismo. Os testes que detectam a presença do antígeno devem ser realizados na fase de maior carga viral (3° ao 7° dia). Estes testes são utilizados no diagnóstico na fase aguda da doença.


Teste rápido (sorologia): detecta o aparecimento de anticorpos IgM e IgG (sorologia) que aparecem entre 10 a 20 dias após o início da infecção. Isso acontece porque após a infecção, o antígeno estimula o sistema imunológico a produzir uma resposta imunológica, e os anticorpos correspondentes aparecem no sangue.


Medianamente sensível, esta abordagem aponta a produção de anticorpos que organismo produz contra o vírus, ou seja, detecta se o organismo produziu defesas contra o vírus.

O diagnóstico sorológico é importante para os pacientes que apresentam carga viral muito baixa, abaixo do limite de detecção dos ensaios de RT-PCR. Como a maioria dos pacientes apresenta títulos crescentes de anticorpos, esse teste deve ser realizados a partir do início da produção dos mesmos, que se dá cerca de 7 dias após a infecção, sendo que o ideal é realizá-los a partir do 10° dia.


A detecção de anticorpos IgM tende a indicar exposição recente ao SARS‐CoV‐2, enquanto a detecção de anticorpos IgG indica exposição ao vírus algum tempo. Por isso, este teste não pode ser usado para confirmar que alguém possui ou não a doença, pois a pessoa pode ter o vírus, mas ainda não ter produzido IgM e IgG. Além disso, como a presença destes anticorpos permanece por muitos dias após a doença, a presença de anticorpos não indica que a pessoa ainda esteja com o vírus. Neste caso existe a possibilidade de que ela esteja com algum grau de imunização.


O resultado aparece em formas de linhas no teste em cerca de 15 minutos. A sensibilidade e especificidade dos testes sorológicos variaram entre os fabricantes e, havendo baixa sensibilidade do teste diagnóstico pode conduzir a uma maior probabilidade de obter resultados falsos-negativos.




  • Triagem molecular para detecção de SARS-CoV-2 desenvolvido pela BiomeHub


Desenvolvemos um modelo analítico que permite a realização de triagem em escala populacional, pelo método de RT-PCR, capaz de identificar a presença do material genético do vírus, a um custo reduzido.


A grande vantagem dessa abordagem é permitir a triagem de um grande número de indivíduos assintomáticos, em um curto espaço de tempo.

Conhecido como “teste em pool”, o método se baseia em testar ao mesmo tempo as amostras de até 16 pessoas.


Nesse modelo de testagem em grupo, são coletadas duas amostras de nasofaringe (nariz) de cada indivíduo assintomático. Um dos materiais coletados fica reservado em um tubo individual, enquanto a outra amostra é testada no modo coletivo (mais barato) no método RT-PCR, o padrão ouro para detecção da infecção pelo novo coronavírus


Após a coleta, o recebimento das amostras deverá ocorrer, preferencialmente, em até 48h após a coleta e em temperatura de 2 a 8 °C para que a amostra se mantenha viável.




Caso alguém do grupo esteja contaminado, são realizados os testes individuais e os mesmos ficam isolados até a descoberta de quem do grupo está infectado pela doença. Em caso de o “grupo testar negativo”, todos são liberados com um único teste.





Nesse modelo de monitoramento, os testes são repetidos a cada 15 dias para garantir a continuidade dos serviços em segurança.


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Fontes:


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