top of page

Conheça os principais microrganismos da microbiota vaginal

Atualizado: 22 de out. de 2024

Se você sofre ou já sofreu com a presença de corrimentos vaginais ou outros sintomas ginecológicos, é provável que você já tenha ouvido falar em Lactobacillus, Gardnerella ou Candida, por exemplo. Esses são alguns exemplos de bactérias e fungos que podem estar presentes no canal vaginal e que podem estar protegendo ou causando sintomas e condições ginecológicas importantes.


Mirella Scariot


Por Mirella Scariot

Cientista de Alimentos, Dra em Ciência dos Alimentos pela UFSC e Analista de Produtos na BiomeHub.





Neste postblog será abordado:





microrganismos da microbiota vaginal


O que é a Microbiota Vaginal?

O conjunto de microrganismos que habitam o canal vaginal representa a Microbiota Vaginal, um ecossistema dinâmico e complexo e que tem papel fundamental na saúde íntima feminina.


Esses microrganismos constituem a principal linha de defesa contra a colonização de microrganismos patogênicos oportunistas e são importantes para a manutenção da saúde da mulher. Portanto, dependendo do equilíbrio da microbiota vaginal, esses microrganismos podem proteger ou causar sintomas e condições indesejáveis.






Qual a importância da Microbiota Vaginal?

Você sabia que diferentes microrganismos podem ser responsáveis pelos mesmos sintomas ginecológicos? E que nem sempre a mesma conduta clínica será eficiente para todos os microrganismos? Esse pode ser o motivo das suas infecções de recorrência, por exemplo.


Identificar de maneira precisa a composição da microbiota vaginal e a estabilidade desse ambiente é imprescindível para uma conduta clínica assertiva e precisa.

O microbioma vaginal exerce um papel importante na manutenção da saúde do trato vaginal e o conhecimento sobre a microbiota vaginal e como esta influencia a saúde feminina é importante para reduzir os casos de infecções ginecológicas. Logo, conhecendo a microbiota há mais chances para prevenção e autocuidado.


O equilíbrio dos microrganismos na região vaginal é de suma importância para o não desenvolvimento de enfermidades. Podemos destacar como fatores que estão associados ao desequilíbrio da microbiota vaginal, como:


  • Menopausa,

  • Cirurgias,

  • Distúrbios imunitários,

  • Quimioterapia,

  • Número elevado de parceiros sexuais,

  • Utilização de DIU,

  • Uso de espermicidas,

  • Antibióticos de largo espectro,

  • Maus hábitos de higiene,

  • Hábito de ducha vaginal,

  • Falha imunológica na região vaginal.








Quais são os principais microrganismos da Microbiota Vaginal?

Sabendo disso, é importante que você conheça um pouco mais sobre as principais bactérias, fungos e protozoários que podem estar presentes na microbiota vaginal. Preparamos um compilado de informações com as principais características e qual a relação desses microrganismos com a saúde íntima feminina.


Atopobium vaginae

É uma bactéria anaeróbia patobionte e quando presente em altas proporções pode estar associada à Vaginose Bacteriana. Também tem associação com a progressão do câncer cervical, HPV e Infertilidade.

BVAB1 (Bacterial vaginosis-associated bacterium)

É uma bactéria anaeróbia patobionte e não cultivável. Está associada à Vaginose Bacteriana, principalmente na persistência da VB após o tratamento com Metronidazol.

Candida albicans

É um fungo patógeno oportunista causador da Candidíase vulvovaginal.

Candida krusei

Pertence ao grupo conhecido como “Candida não-albicans”. É um fungo patógeno oportunista, causador da Candidíase vulvovaginal. Geralmente, apresentam resistência aos tratamentos tradicionais.

Chlamydia trachomatis

É uma bactéria patogênica, causadora de infecção sexualmente transmissível, a Clamídia. Geralmente, é assintomática. Pode ter relação também com Doença Inflamatória Pélvica, Infertilidade e casos de gravidez ectópica.

Dialister micraerophilus

É uma bactéria patobionte e está associada com Vaginose Bacteriana. Apresenta teste de cheiro positivo (teste de aminas).

Finegoldia magna

Bactéria anaeróbica e oportunista. Pode ser encontrada na pele e membranas mucosas da boca, trato respiratório e geniturinários. Em alta proporção pode estar associada à Vaginose Bacteriana.

Gardnerella vaginalis

É uma espécie patobionte, associada à Vaginose Bacteriana. Tem capacidade de formação de biofilme - o biofilme é fundamental para o desenvolvimento da doença, devido à maior tolerância aos antibióticos e resistência às defesas imunológicas do hospedeiro, tornando a doença crônica e/ou recorrente. Essa espécie também é conhecida por apresentar odor fétido, conhecido como odor de peixe podre.

Lactobacillus crispatus

É uma bactéria considerada protetora e biomarcadora de um trato vaginal saudável. Produz grande quantidade de ácido lático (L-lactato e D-lactato) e peptídeos antimicrobianos denominados bacteriocinas. O predomínio desta espécie caracteriza o microbioma vaginal do Tipo I, que está associado a um microbioma vaginal mais estável e foi correlacionado com menor risco de transmissão e aquisição de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

Lactobacillus gasseri

É uma bactéria considerada protetora. Confere resistência à colonização contra patógenos, deslocando-os por adesão competitiva ou por inibição direta através da produção de compostos antimicrobianos, incluindo ácido lático, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas. O predomínio desta espécie está associado com a microbiota vaginal do Tipo II, que é associada a uma microbiota estável.

Lactobacillus jensenii

É uma bactéria considerada protetora, pois produz quantidades moderadas-altas de ácido lático, que mantém o pH baixo e produz peptídeos antimicrobianos denominados bacteriocinas. O predomínio de L. jensenii está associado com a microbiota vaginal do Tipo V.

Lactobacillus iners

É uma espécie comensal que se adapta a diferentes condições do ambiente vaginal e, por isso, pode ser encontrada tanto em mulheres saudáveis, quanto naquelas com disbiose vaginal, ou mesmo em mulheres que recebem terapia antimicrobiana. Diferente das outras espécies de Lactobacillus, L. iners não produz o isômero D-lactato do ácido lático e o peróxido de hidrogênio (H2O2), diminuindo a sua capacidade protetiva. O predomínio de L. iners está associado com a microbiota vaginal do Tipo III.

Mycoplasma hominis

Espécie patobionte frequentemente encontrada no trato geniturinário. Em proporções altas, pode estar associada à Vaginose Bacteriana e apresentar corrimento vaginal anormal e odor fétido. Estudos mostram associação da espécie com uretrite, Síndrome Miccionais crônicas e cervicite

Prevotella

Este gênero abrange espécies que podem estar associadas à Vaginose Bacteriana, além de desempenhar um papel importante na formação de biofilme e facilitar a colonização de outras bactérias, incluindo patógenos sexualmente transmissíveis. Essas bactérias também têm a capacidade de produzir metabólitos que podem degradar a superfície da mucosa vaginal e promover o descolamento de células epiteliais vaginais que levam à descamação vaginal.

Streptococcus agalactiae:

É uma bactéria comensal da microbiota intestinal e do trato geniturinário humano. Mas, pode ser um importante patógeno na infecção vaginal e em outras infecções humanas. A colonização em mulheres grávidas por Streptococcus agalactiae do grupo B foi associada com trabalho de parto prematuro, membranas rompidas prematuramente e infecções puerperais e fetais, como a meningite.

Trichomonas vaginalis

É um protozoário, causador da Tricomoníase, uma Infecção Sexualmente Transmissível. Pode causar dispareunia e corrimento vaginal, que pode ser difuso, fétido e verde-amarelado, com ou sem irritação vulvar. A tricomoníase é tratável e curável.

Ureaplasma

O gênero Ureaplasma possui duas espécies patobiontes: Ureaplasma urealyticum e Ureaplasma parvum, que podem ser encontradas na microbiota vaginal de mulheres assintomáticas. Estudos relatam que estas espécies estão associadas a uretrite não gonocócica, complicações na gravidez e infecções pré-natais.



BIOfeme e a composição da microbiota vaginal

Visto que as alterações na microbiota vaginal podem estar envolvidas em inúmeras patologias e influenciar de forma significativa a saúde feminina, você percebe a importância de acompanhar e entender a composição da microbiota vaginal e garantir o seu equilíbrio?


O conhecimento sobre a composição da microbiota vaginal, através de exames como o BIOfeme, é peça-chave para a detectar estados de desequilíbrio microbiológico, que podem afetar drasticamente a saúde e qualidade de vida das mulheres.


Através do BIOfeme é possível conhecer toda a composição de bactérias e fungos presente na microbiota vaginal da paciente, além da proporção relativa desses microrganismos, uma informação extremamente relevante e primordial para a conduta clínica. Além disso, com o BIOfeme, é possível entender exatamente o tipo de desequilíbrio que a microbiota está sofrendo e desta forma, ter uma conduta muito precisa e direcionada.




Referências:

Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recommendations and Reports. 2021;70(4):1–187. doi:10.15585/mmwr.rr7004a1.


Kong F, Ma Z, James G, Gordon S, Gilbert GL. Species Identification and Subtyping ofUreaplasma parvum and Ureaplasma urealyticumUsing PCR-Based Assays. Journal of Clinical Microbiology. 2000;38(3):1175–1179. doi:10.1128/jcm.38.3.1175-1179.2000.


Menard J, Fenollar F, Henry M, Bretelle F, Raoult D. Molecular Quantification ofGardnerella vaginalisandAtopobium vaginaeLoads to Predict Bacterial Vaginosis. Clinical Infectious Diseases. 2008;47(1):33–43. doi:10.1086/588661.


Holm JB, France MT, Ma B, et al. Comparative Metagenome-Assembled Genome Analysis of “Candidatus Lachnocurva vaginae”, Formerly Known as Bacterial Vaginosis-Associated Bacterium−1 (BVAB1). Frontiers in Cellular and Infection Microbiology. 2020;10. doi:10.3389/fcimb.2020.00117.


Sobel JD. Vulvovaginal candidosis. The Lancet. 2007;369(9577):1961–1971. doi:10.1016/s0140-6736(07)60917-9.

Orozco AS, Higginbotham LM, Hitchcock CA, et al. Mechanism of Fluconazole Resistance in Candida krusei.


Antimicrobial Agents and Chemotherapy. 1998;42(10):2645–2649. doi:10.1128/aac.42.10.2645.


Guinea J, Sánchez-Somolinos M, Cuevas O, Peláez T, Bouza E. Fluconazole resistance mechanisms inCandida krusei: The contribution of efflux-pumps. Medical Mycology. 2006;44(6):575–578. doi:10.1080/13693780600561544.


Witkin SS, Minis E, Athanasiou A, Leizer J, Linhares IM. Chlamydia trachomatis: the Persistent Pathogen. Papasian CJ, ed. Clinical and Vaccine Immunology. 2017;24(10). doi:10.1128/cvi.00203-17.


Srinivasan S, Hoffman NG, Morgan MT, et al. Bacterial Communities in Women with Bacterial Vaginosis: High Resolution Phylogenetic Analyses Reveal Relationships of Microbiota to Clinical Criteria. Ratner AJ, ed. PLoS ONE. 2012;7(6):e37818. doi:10.1371/journal.pone.0037818.


Nelson TM, Borgogna JLC, Brotman RM, Ravel J, Walk ST, Yeoman CJ. Vaginal biogenic amines: biomarkers of bacterial vaginosis or precursors to vaginal dysbiosis? Frontiers in Physiology. 2015;6. doi:10.3389/fphys.2015.00253.


Brüggemann H, Jensen A, Nazipi S, et al. Pan-genome analysis of the genus Finegoldia identifies two distinct clades, strain-specific heterogeneity, and putative virulence factors. Scientific Reports. 2018;8(1). doi:10.1038/s41598-017-18661-8.


Neumann A, Björck L, Frick IM. Finegoldia magna, an Anaerobic Gram-Positive Bacterium of the Normal Human Microbiota, Induces Inflammation by Activating Neutrophils. Frontiers in Microbiology. 2020;11. doi:10.3389/fmicb.2020.00065.


Africa C, Nel J, Stemmet M. Anaerobes and Bacterial Vaginosis in Pregnancy: Virulence Factors Contributing to Vaginal Colonisation. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2014;11(7):6979–7000. doi:10.3390/ijerph110706979.


Schwebke JR, Flynn MS, Rivers CA. Prevalence ofGardnerella vaginalisamong women with lactobacillus-predominant vaginal flora. Sexually Transmitted Infections. 2013;90(1):61–63. doi:10.1136/sextrans-2013-051232.


Abdelmaksoud AA, Koparde VN, Sheth NU, et al. Comparison of Lactobacillus crispatus isolates from Lactobacillus-dominated vaginal microbiomes with isolates from microbiomes containing bacterial vaginosis-associated bacteria. Microbiology. 2016;162(3):466–475. doi:10.1099/mic.0.000238.


Gajer P, Brotman RM, Bai G, et al. Temporal Dynamics of the Human Vaginal Microbiota. Science Translational Medicine. 2012;4(132):132ra52–132ra52. doi:10.1126/scitranslmed.3003605.


Lewis FMT, Bernstein KT, Aral SO. Vaginal Microbiome and Its Relationship to Behavior, Sexual Health, and Sexually Transmitted Diseases. Obstetrics & Gynecology. 2017;129(4):643–654. doi:10.1097/aog.0000000000001932.


Maldonado-Barragán A, Caballero-Guerrero B, Martín V, Ruiz-Barba JL, Rodríguez JM. Purification and genetic characterization of gassericin E, a novel co-culture inducible bacteriocin from Lactobacillus gasseri EV1461 isolated from the vagina of a healthy woman. BMC Microbiology. 2016;16(1). doi:10.1186/s12866-016-0663-1.


Ravel J, Gajer P, Abdo Z, et al. Vaginal microbiome of reproductive-age women. Proceedings of the National Academy of Sciences. 2010;108(Supplement_1):4680–4687. doi:10.1073/pnas.1002611107.


Kovachev S. Defence factors of vaginal lactobacilli. Critical Reviews in Microbiology. 2017;44(1):31–39. doi:10.1080/1040841x.2017.1306688.


Taylor-Robinson D. Is Mycoplasma hominis a vaginal pathogen? Sexually Transmitted Infections. 2001;77(4):302–a–302. doi:10.1136/sti.77.4.302-a.


Zozaya-Hinchliffe M, Lillis R, Martin DH, Ferris MJ. Quantitative PCR Assessments of Bacterial Species in Women with and without Bacterial Vaginosis. Journal of Clinical Microbiology. 2010;48(5):1812–1819. doi:10.1128/jcm.00851-09.


Africa C, Nel J, Stemmet M. Anaerobes and Bacterial Vaginosis in Pregnancy: Virulence Factors Contributing to Vaginal Colonisation. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2014;11(7):6979–7000. doi:10.3390/ijerph110706979.


Sørensen UBS, Poulsen K, Ghezzo C, Margarit I, Kilian M. Emergence and Global Dissemination of Host-Specific Streptococcus agalactiae Clones. Russell M, ed. mBio. 2010;1(3). doi:10.1128/mbio.00178-10.

Gostou do conteúdo?
Assine nossa newsletter e seja o primeiro a saber sobre as novidades.
* A BiomeHub tem o compromisso de proteger e respeitar sua privacidade e nós usaremos suas informações pessoais somente para administrar sua conta e fornecer os produtos e serviços que você nos solicitou. Ocasionalmente, gostaríamos de contatá-lo sobre os nossos produtos e serviços, também sobre outros assuntos que possam ser do seu interesse. Você pode cancelar o recebimento dessas comunicações quando quiser. 

Obrigado por se inscrever!

bottom of page