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Você já ouviu falar de tricomoníase?

Dados do CDC, Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, mostram que aproximadamente 2.6 milhões de pessoas sexualmente ativas nos EUA testam positivo para Trichomonas vaginalis.


ginecologista explicando resultado para paciente


O que é Tricomoníase?

A Tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis e afeta igualmente homens e mulheres.



Quais são os sintomas da Tricomoníase?

Uma boa parte dos casos de Tricomoníase são assintomáticos, enquanto outros podem desenvolver vaginites e/ou uretrites. Os sintomas mais comuns nas mulheres são:

  • Presença de corrimento vaginal;

  • Coceira;

  • Vermelhidão;

  • Ardência ao urinar;

  • Desconforto durante a relação sexual.

A secreção vaginal sugestiva de Tricomoníase apresenta coloração amarela-esverdeada, é fluida, bolhosa e fétida, e uma mucosa vaginal hiperêmica e friável. Por conta da presença desse odor fétido, pode ser facilmente confundida com a Vaginose bacteriana.


A Tricomoníase é tratável e curável. Mas, é importante estar atento, pois pode ter complicações importantes.

A presença do Trichomonas vaginalis pode causar complicações importantes durante a gravidez, como parto prematuro, bebês com baixo peso e ruptura prematura de membranas. Além disso, estudos mostram que a Tricomoníase aumenta o risco de aquisição de HIV e outras IST, além do risco aumentado para o desenvolvimento de Doença Inflamatória Pélvica. Para os homens, as complicações podem incluir prostatite e infertilidade.




Existem fatores de risco para a Tricomoníase?

A Tricomoníase é uma IST, portanto, a principal forma de aquisição é através do contato sexual direto sem o uso de preservativos. Alguns fatores de risco são considerados, como:

  • Histórico de IST;

  • Novo parceiro sexual ou múltiplos parceiros;

  • Contato com parceiros infectados;

  • Abuso de drogas intravenosas.

Apesar de ser considerada a IST mais comum entre a população adulta sexualmente ativa, é uma doença que não necessita de notificação compulsória, portanto, os dados epidemiológicos são de difícil interpretação.

representação do aparelho reprodutor feminino

Estudos científicos mostram que a Tricomoníase é mais frequente em pessoas com múltiplos parceiros sexuais e que também tem o diagnóstico de outras IST. Segundo um estudo, a taxa de infecção por Trichomonas vaginalis nos EUA são mais altas do que as taxas de infecção por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis combinadas, agentes causadores da Gonorreia e Clamídia, respectivamente.

Além disso, dados científicos reportam que a Tricomoníase é mais prevalente entre mulheres de 40 a 49 anos, cenário diferente em relação a Clamídia por exemplo, que tem a sua maior taxa de incidência entre jovens de 19 a 24 anos.

A Microbiota vaginal tem influência na Tricomoníase?

Os estudos sobre a relação da microbiota vaginal e a presença do protozoário Trichomonas vaginalis no ambiente vaginal ainda são escassos. No entanto, estudos já mostram que há sim uma relação direta entre esses microrganismos.

Veja alguns pontos importantes já elucidados dessa relação:

  1. Uma microbiota do tipo IV (aumento de bactérias anaeróbias patobiontes e redução/ausência de Lactobacillus) ou tipo III (predomínio de Lactobacillus iners) tem sido associada ao maior risco para aquisição deste protozoário. Além disso, a interação do T. vaginalis com bactérias da microbiota vaginal do tipo IV aumenta a permeabilidade do epitélio cervicovaginal, prejudicando a proteção vaginal.

  2. Um estudo verificou que a maioria das mulheres com Tricomoníase tinham o microbioma do Tipo IV, o qual foi caracterizado pela diminuição na proporção de espécies de Lactobacillus e a uma maior abundância de bactérias anaeróbias (Atopobium, Prevotella, Parvimonas, Sneathia, Gardnerella, Mobiluncus, por exemplo) associadas à Vaginose Bacteriana (VB).

  3. Outro trabalho observou um maior risco de infecção por T. vaginalis em mulheres sexualmente ativas que possuem uma microbiota vaginal em desequilíbrio, sugerindo um papel causal da microbiota alterada e a probabilidade de infecção por T. vaginalis.

  4. Ainda um estudo com ensaios in vitro observou que o biofilme formado por bactérias disbióticas vaginais (associadas à VB) favorece a infecção por T. vaginalis. Essas bactérias atuam aumentando adesão de T. vaginalis a substratos vaginais (mucinas) e a células epiteliais humanas.

  5. Outros estudos a partir de ensaios in vitro, também, observaram que T. vaginalis pode reduzir o número de Lactobacillus spp. Já em relação às outras espécies presentes na BV, como Prevotella bivia e Atopobium vaginae, o protozoário não causa nenhum efeito. De acordo com o estudo, a espécie Lactobacillus gasseri pode reduzir a adesão T. vaginalis às células vaginais, assim exercendo uma atividade protetora, reduzindo e influenciando a patogenicidade do protozoário.

  6. Também tem sido descrita a relação simbiótica entre T. vaginalis e Mycoplasma hominis. A infecção por T. vaginalis pode criar um ambiente protegido da ação de antibióticos e da resposta imune do hospedeiro em relação a M. hominis. Além disso, a presença de M. hominis reforçaria a patogenicidade de T. vaginalis.



BIOfeme e a detecção de Trichomonas vaginalis
Kit de autocoleta Biofeme

O exame de microbiota vaginal - o BIOfeme - agora também avalia a presença ou ausência do protozoário Trichomonas vaginalis. A detecção é feita pelo Sequenciamento de DNA de alto desempenho utilizando marcadores específicos. Assim, através da mesma amostra, é possível avaliar a composição de bactérias e fungos presentes e também, do protozoário simultaneamente.

Saiba mais sobre o BIOfeme aqui.




Fontes:


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