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Disbiose não é só no intestino! Sabia que existe também a disbiose vaginal?

A disbiose intestinal é um termo que estamos mais habituados a ouvir. Mas você já ouviu falar em disbiose vaginal? Sim! A microbiota vaginal também pode sofrer perturbações que podem levar ao desequilíbrio, isto é, à disbiose.


mulher curiosa sobre disbiose vaginal

Para entender como o microbioma vaginal pode entrar em desequilíbrio vamos relembrar a sua função e como essa microbiota é composta.


O microbioma vaginal é um ecossistema dinâmico e complexo formado por microrganismos que habitam a vagina.

Dependendo do seu equilíbrio, esses microrganismos - bactérias ou fungos - podem proteger a saúde íntima da mulher ou causar sintomas e condições indesejadas.


A microbiota vaginal é responsável uma infinidade de processos que são determinantes para a saúde íntima, tais como:

  • Manter o pH vaginal adequado;

  • Produzir compostos antimicrobianos;

  • Regular e fortalecer o sistema imune;

  • Evitar a proliferação de bactérias nocivas;

  • Manter o equilíbrio dos microrganismos no trato vaginal.

Por isso, costumamos dizer que esses microrganismos são a primeira linha de defesa da saúde íntima. Uma microbiota dita ideal é aquela dominada por espécies do gênero Lactobacillus, sendo as principais espécies L. crispatus, L. jensenii, L. gasseri e L. iners.


Lactobacillus e a função na microbiota vaginal

Os Lactobacillus podem atuar de diferentes maneiras na microbiota vaginal. Tudo acontece a partir da formação de um biofilme natural que reveste a mucosa vaginal, inibindo a adesão, crescimento e proliferação de patógenos.


Este biofilme natural atua como uma defesa e acontece por meio de vários mecanismos como redução do pH vaginal, produção de compostos antimicrobianos como ácido lático, peróxido de hidrogênio e bacteriocinas, que contribuem para um microbioma vaginal saudável e estabelecem uma defesa contra os patógenos invasores.


Desta forma, como os Lactobacillus são responsáveis por manter o ambiente vaginal estável, quando eles sofrem um declínio acentuado e outros microrganismos patobiontes ocupam a microbiota, consequentemente, teremos um ambiente instável.


Portanto, a microbiota vaginal em desequilíbrio, ou disbiose vaginal, resulta em um ambiente instável e suscetível a diversos distúrbios inflamatórios e infecciosos, podendo ser um fator de risco para complicações ginecológicas e obstétricas.

Veja abaixo exemplos de condições e sintomas que podem ocorrer devido à disbiose vaginal:

CONDIÇÕES

SINTOMAS

  • ​Aborto

  • Candidíase

  • Infertilidade

  • Vaginose bacteriana

  • Doença Inflamatória Pélvica

  • Resultados adversos na gravidez

  • Persistência da infecção pelo HPV

  • Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)

  • Coceira​

  • Dor pélvica

  • Corrimentos

  • Desconforto vaginal

  • Dor na relação sexual

Evidências científicas significativas também indicam que o predomínio da espécie Lactobacillus iners na microbiota vaginal está associado a um perfil de microbiota instável e suscetível a eventos adversos, como infecções de repetição, devido à menor capacidade de proteção oferecida por essa espécie.


Diferente das outras espécies de Lactobacillus, o L. iners, não produz o isômero D-lactato do ácido lático e o peróxido de hidrogênio (H2O2), diminuindo a sua capacidade protetiva. Este fator possibilita a sua coexistência com espécies de patógenos, como a Gardnerella vaginalis, Chlamydia trachomatis e Candida albicans.



Disbiose vaginal como fator de risco para persistência do HPV

Evidências crescentes tem mostrado que a disbiose do canal vaginal, com a depleção de Lactobacillus e aumento da diversidade bacteriana, podem afetar a persistência pelo papilomavírus humano (HPV) e o desenvolvimento de lesões cervicais. A consequência persistência é a possível progressão para o câncer cervical.


Isto acontece pois o desequilíbrio da microbiota vaginal provoca um ambiente inflamatório. As moléculas pró-inflamatórias podem aumentar a proliferação de células malignas e a expressão dos oncogenes do HPV, que é favorável para o desenvolvimento do câncer.



Em geral, as mulheres com persistência do HPV e lesões intraepiteliais escamosas cervicais de alto grau, ou HSIL, têm uma microbiota sem predomínio de Lactobacillus e maior diversidade bacteriana.


Entre as espécies bacterianas, as possuem maior consistência de dados científicos, associadas ao HPV e HSIL incluem:

  • G. vaginalis,

  • Sneathia,

  • Megasphaera e

  • Prevotella.

Outras espécies como Atopobium vaginae, Clostridium, Fusobacterium, Mycoplasma e Ureaplasma parvum são encontradas associadas ao HPV e SIL em estudos transversais, mas de forma não consistente.


Estudos de meta-análise e revisão sistemática mostram que os tipos de microbiota vaginal dominada por espécies de não-Lactobacillus (tipo IV) ou L. iners (tipo III) estão associados a maior prevalência do HPV quando comparado com L. crispatus (tipo I). Além disso, um dos estudos longitudinais relata que o L. gasseri (tipo II) está associado à taxa de eliminação mais rápida da infecção pelo HPV.



É importante ressaltar que, a maioria das pesquisas de microbioma em torno de cânceres causados ​​pelo HPV, consiste em estudos dedicados a caracterizar perfis bacterianos e de citocinas e não prova de causalidade.



Outras complicações ginecológicas e obstétricas influenciadas pelo desequilíbrio vaginal

mulher com disbiose vaginal

Evidências científicas cada vez têm mais mostrado o quanto o desequilíbrio da microbiota vaginal pode impactar diretamente o desenvolvimento de sintomas e condições no canal vaginal. Outra importante condição é o Câncer de Ovário, um tipo de câncer que ocupa o 7º lugar entre os mais comumente diagnosticados em mulheres no mundo todo.


Nesse caso, os processos inflamatórios desencadeados pela disbiose vaginal, induzem o estresse oxidativo e aumentam o risco de transformação das células cancerígenas.


Em mulheres com câncer de ovário, foi observado que a presença de Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhea, além da presença acentuada de bactérias gram-negativas especialmente do filo Proteobacteria e da redução de Lactobacillus, atuaram como fatores de risco.

Outra importante questão acerca do desequilíbrio no canal vaginal é em relação a resultados adversos na gravidez, como risco aumentado de infecções, parto prematuro, abortos e ruptura das membranas.


A ascensão de patógenos do trato reprodutivo inferior para a placenta, membranas fetais e cavidade uterina, e a disseminação hematogênica de patógenos de outros locais, como periodontais da microbiota oral, também foram apontados para explicar até 40-50% dos nascimentos prematuros associados às etiologias microbianas.


Estudos observaram uma correlação entre a depleção de Lactobacillus com níveis de citocinas pró-inflamatórias e danos à barreira epitelial cervical que podem promover a translocação bacteriana.


Portanto, uma resposta inflamatória desencadeada pelo microbioma vaginal pode contribuir direta ou indiretamente para resultados adversos da gravidez.



BIOFEME e o desequilíbrio da microbiota vaginal

Visto que as alterações na microbiota vaginal podem estar envolvidas em inúmeras patologias e influenciar de forma significativa a saúde feminina, você percebe a importância de acompanhar e entender a composição da microbiota vaginal e garantir o seu equilíbrio?


O conhecimento sobre a composição da microbiota vaginal, através de exames como o BIOfeme, é peça-chave para a detectar estados de desequilíbrio microbiológico, que podem afetar drasticamente a saúde e qualidade de vida das mulheres.


Através do BIOfeme é possível conhecer toda a composição de bactérias e fungos presente na microbiota vaginal da paciente, além da proporção relativa desses microrganismos, uma informação extremamente relevante e primordial para a conduta clínica. Além disso, com o BIOfeme, é possível entender exatamente o tipo de desequilíbrio que a microbiota está sofrendo e desta forma, ter uma conduta muito precisa e direcionada.




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