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Biofilme e vaginose bacteriana: uma estreita relação

A vaginose bacteriana é uma consequência da alteração do microbioma vaginal. Estudos demonstram que a formação de biofilmes vaginais desempenham papel fundamental na patogenicidade da vaginose bacteriana.



Recentemente, novas descobertas estão sendo divulgadas a respeito do papel da microbiota vaginal como influência na saúde da mulher. Uma atenção particular ocorre para a formação do biofilme vaginal, que desempenha uma função patogênica em diversas doenças urogenitais, neutralizando a atividade de antimicrobianos ou permitindo que alguns microrganismos resistam ao sistema de defesa do hospedeiro, levando a infecções recorrentes.




Mas o que é o biofilme?


Biofilme é uma comunidade estruturada de microrganismos que se fixam em uma superfície por uma matriz polimérica secretada pelos próprios microrganismos. O biofilme forma uma proteção eficaz contra as respostas imunes do hospedeiro e antimicrobianos.


Os biofilmes polimicrobianos se formam no epitélio vaginal e têm um papel fundamental na patogênese da vaginose bacteriana. A sua formação depende de diversos fatores como stress, atividade sexual, sinergismo e antagonismo microbiano.


Apesar do crescente esforço e conscientização, atualmente ainda temos um conhecimento restrito quanto à relação entre as bactérias formadoras de biofilme e as bactérias residentes, e como essa interação afeta a saúde da mulher.

Espécies associadas a formação do biofilme vaginal desempenham papel central na patogenicidade da vaginose bacteriana favorecendo a persistência da disbiose. Dentre essas espécies, foi demonstrado que a Gardnerella vaginalis apresenta forte aderência às células vaginais, citotoxicidade e capacidade de produção de biofilme.



Gardnerella vaginalis e biofilme


A Gardnerella vaginalis é considerada a colonizadora primária e facilita a adesão das demais bactérias para a formação desta comunidade. O biofilme formado pela G. vaginalis apresenta alta tolerância a dois compostos comuns da secreção vaginal saudável: o ácido lático e o peróxido de hidrogênio (H2O2); favorecendo um ambiente protetor para os microrganismos.


Quando o crescimento da G. vaginalis não sofre restrição, ela é capaz de estabelecer uma relação simbiótica com outras bactérias anaeróbias associadas à vaginose bacteriana e, com isso, promover o crescimento do biofilme. Esse mecanismo parece ser mais efetivo na presença da Prevotella bivia que induz ao maior crescimento da G. vaginalis.


Através do uso do sequenciamento de RNA, foi evidenciado que o biofilme da G. vaginalis apresenta menor atividade metabólica e de virulência, importantes para a persistência do biofilme. Esses fenótipos estão ligados a características de recorrência e cronicidade da vaginose bacteriana.

Os biofilmes de G. vaginalis estão supostamente presentes nas trompas de falópio e amostras endometriais, indicando que os biofilmes de G. vaginalis podem se mover para o trato genital superior, levando a resultados adversos da gravidez.



Existe biofilme protetor?


O ambiente vaginal é dinâmico e influenciado por fatores como flutuações hormonais, menstruação, higiene, amamentação, atividade sexual. Diversas espécies de microrganismos coexistem no microbioma vaginal com predomínio de 70-90% de Lactobacillus. Essa elevada prevalência é fundamental para manutenção da saúde vaginal, devido a produção de radicais hidroxil, ácido-lático, bacteriocinas, peróxido de hidrogênio e probióticos.



Dentre todas as ações protetivas dos Lactobacillus, o mecanismo mais efetivo é a produção de um biofilme espesso e protetor no epitélio vaginal que neutraliza a proliferação de microrganismos patogênicos.


Atualmente, ainda existem desafios a respeito da etiologia da vaginose bacteriana. Entretanto, a utilização do sequenciamento de DNA de alto desempenho para diagnóstico de vaginose bacteriana, possibilitou identificar um biofilme com estrutura polimicrobiana dominado pela presença de G.vaginalis, associado frequentemente a Atopobium vaginae e espécies de Lactobacillus.

Por esses motivos, a identificação da composição da microbiota vaginal é de grande importância. O exame BIOfeme, por meio do sequenciamento de DNA de alto desempenho, permite distinguir a composição da microbiota possibilitando um diagnóstico mais preciso e um tratamento mais eficaz.


Acesse o post blog Conheça a metodologia utilizada no BIOfeme para saber mais sobre o exame.



Fontes:


Campisciano, Giuseppina et al. “Vaginal microbiota dysmicrobism and role of biofilm-forming bacteria.” Frontiers in bioscience (Elite edition) vol. 10,3 528-536. 1 Jun. 2018, doi:10.2741/E839


Chen, Xiaodi et al. “The Female Vaginal Microbiome in Health and Bacterial Vaginosis.” Frontiers in cellular and infection microbiology vol. 11 631972. 7 Apr. 2021, doi:10.3389/fcimb.2021.631972


Swidsinski, Alexander et al. “Response of Gardnerella vaginalis biofilm to 5 days of moxifloxacin treatment.” FEMS immunology and medical microbiology vol. 61,1 (2011): 41-6. doi:10.1111/j.1574-695X.2010.00743.x


Swidsinski, Alexander et al. “Presence of a polymicrobial endometrial biofilm in patients with bacterial vaginosis.” PloS one vol. 8,1 (2013): e53997. doi:10.1371/journal.pone.0053997


Thurlow, Lance R et al. “Staphylococcus aureus biofilms prevent macrophage phagocytosis and attenuate inflammation in vivo.” Journal of immunology (Baltimore, Md. : 1950) vol. 186,11 (2011): 6585-96. doi:10.4049/jimmunol.1002794


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