Probióticos: vilões ou mocinhos?

Atualizado: 19 de Mai de 2020

Entenda quando eles devem ser, ou não, consumidos


Homem com dor estomacal. Comprimidos e capsulas de remédio e probiótico circulando o homems

Nos últimos anos os probióticos estão cada vez mais populares pela sua capacidade de equilibrar a microbiota intestinal e melhorar o bem-estar. Em pessoas saudáveis, o intestino mantém um certo equilíbrio, em que as bactérias relacionadas a saúde intestinal superam as causadoras de doenças. No entanto, quando ocorre uma diminuição nos níveis de bactérias benéficas, pode ocorrer um desequilíbrio, ou seja, uma disbiose.


Uma microbiota intestinal desbalanceada pode causar alterações clínicas como a diarreia (associada a infecções ou ao tratamento por antibióticos), a alergia alimentar, o eczema atópico, doenças inflamatórias intestinais, artrite, entre outras. Sendo assim, a correção das proporções de microrganismos de uma microbiota em desequilíbrio constitui a base da terapia por probióticos.


Embora haja evidências e conhecimento crescente sobre probióticos, não é uma tarefa fácil para os profissionais da saúde escolherem o probiótico mais apropriado para cada caso. Isso ocorre porque o termo "probiótico" é um nome genérico que agrupa uma enorme quantidade de cepas bacterianas e outros microrganismos.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os probióticos são definidos como “microrganismos vivos que, ingeridos em quantidades adequadas, têm efeitos benéficos no organismo”.


Esses microrganismos pertencem a diferentes gêneros e espécies, como bactérias e leveduras, que podem contribuir para a manutenção do equilíbrio da nossa microbiota, sendo frequentemente utilizados no tratamento e prevenção de sintomas ou desconfortos digestivos. Entretanto, para que as cepas sejam qualificadas como probióticas seus efeitos benéficos para o hospedeiro devem ter sido comprovados cientificamente.


A maioria dos probióticos é constituída de bactérias ácido-láticas, que crescem em baixa concentração de oxigênio (microaerofilia). São espécies ácido-láticas os gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Lactococcus, Leuconostoc, Pediococcus, SporoLactobacillus e Streptococcus. Mais raramente outras espécies não ácido-láticas, tais como, Bacillus cereus, Escherichia coli e Propionibacterium freudenreichii; e as leveduras Saccharomyces cerevisiae e Saccharomyces boulardii podem fazer parte da formulação de probióticos também.


microrganismos variados

Quais os benéficos do uso de probióticos?


Em geral, os microrganismos probióticos agem de várias maneiras, incluindo modulação da função imunológica, produção de ácidos orgânicos e compostos antimicrobianos, interação com a microbiota residente e melhorando a integridade da barreira intestinal.


Os probióticos auxiliam a recompor a microbiota intestinal, através da adesão e colonização da mucosa intestinal. Esta ação impede a adesão e subsequente produção de toxinas ou invasão das células epiteliais, a fina camada de células cuja função é proteger o corpo contra toxinas e bactérias patogênicas.


Adicionalmente, os probióticos competem com as bactérias indesejáveis pelos nutrientes disponíveis no nicho ecológico. O hospedeiro fornece as quantidades de nutrientes que as bactérias intestinais necessitam e estas indicam ativamente as suas necessidades.