Probióticos: vilões ou mocinhos?

Atualizado: Mai 19

Entenda quando eles devem ser, ou não, consumidos



Nos últimos anos os probióticos estão cada vez mais populares pela sua capacidade de equilibrar a microbiota intestinal e melhorar o bem-estar. Em pessoas saudáveis, o intestino mantém um certo equilíbrio, em que as bactérias relacionadas a saúde intestinal superam as causadoras de doenças. No entanto, quando ocorre uma diminuição nos níveis de bactérias benéficas, pode ocorrer um desequilíbrio, ou seja, uma disbiose.


Uma microbiota intestinal desbalanceada pode causar alterações clínicas como a diarreia (associada a infecções ou ao tratamento por antibióticos), a alergia alimentar, o eczema atópico, doenças inflamatórias intestinais, artrite, entre outras. Sendo assim, a correção das proporções de microrganismos de uma microbiota em desequilíbrio constitui a base da terapia por probióticos.


Embora haja evidências e conhecimento crescente sobre probióticos, não é uma tarefa fácil para os profissionais da saúde escolherem o probiótico mais apropriado para cada caso. Isso ocorre porque o termo "probiótico" é um nome genérico que agrupa uma enorme quantidade de cepas bacterianas e outros microrganismos.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os probióticos são definidos como “microrganismos vivos que, ingeridos em quantidades adequadas, têm efeitos benéficos no organismo”.


Esses microrganismos pertencem a diferentes gêneros e espécies, como bactérias e leveduras, que podem contribuir para a manutenção do equilíbrio da nossa microbiota, sendo frequentemente utilizados no tratamento e prevenção de sintomas ou desconfortos digestivos. Entretanto, para que as cepas sejam qualificadas como probióticas seus efeitos benéficos para o hospedeiro devem ter sido comprovados cientificamente.


A maioria dos probióticos é constituída de bactérias ácido-láticas, que crescem em baixa concentração de oxigênio (microaerofilia). São espécies ácido-láticas os gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Lactococcus, Leuconostoc, Pediococcus, SporoLactobacillus e Streptococcus. Mais raramente outras espécies não ácido-láticas, tais como, Bacillus cereus, Escherichia coli e Propionibacterium freudenreichii; e as leveduras Saccharomyces cerevisiae e Saccharomyces boulardii podem fazer parte da formulação de probióticos também.



Quais os benéficos do uso de probióticos?


Em geral, os microrganismos probióticos agem de várias maneiras, incluindo modulação da função imunológica, produção de ácidos orgânicos e compostos antimicrobianos, interação com a microbiota residente e melhorando a integridade da barreira intestinal.


Os probióticos auxiliam a recompor a microbiota intestinal, através da adesão e colonização da mucosa intestinal. Esta ação impede a adesão e subsequente produção de toxinas ou invasão das células epiteliais, a fina camada de células cuja função é proteger o corpo contra toxinas e bactérias patogênicas.


Adicionalmente, os probióticos competem com as bactérias indesejáveis pelos nutrientes disponíveis no nicho ecológico. O hospedeiro fornece as quantidades de nutrientes que as bactérias intestinais necessitam e estas indicam ativamente as suas necessidades.


Essa relação simbiótica impede uma produção excessiva de nutrientes, a qual favoreceria o estabelecimento de competidores microbianos com potencial patogênico ao hospedeiro. Além disso, os probióticos podem impedir a multiplicação de seus competidores, através de compostos antimicrobianos, principalmente as bacteriocinas.


Há situações específicas em que os probióticos podem ser úteis, como reduzir a gravidade da diarreia após a exposição a patógenos e ajudar a restaurar a microbiota intestinal ou vaginal após o tratamento com antibióticos.

A maioria dos probióticos são seguros para a maior parte da população, porém sempre é importante consultar um profissional de saúde. Pacientes que possuem alguma desordem autoimune, enfermidade grave ou crianças pequenas devem sempre consultar um profissional de saúde.




Todo cuidado é pouco!


Se você é uma pessoa saudável e deseja consumir probióticos porque imagina que isso possa melhorar sua microbiota, a melhor coisa a fazer é consultar com um médico ou um nutricionista. O consumo de probióticos sem prescrição pode agravar eventuais sintomas gastrointestinais. Isso porque cada tipo de probiótico tem indicação e dose específicas e deve ser usado por tempo determinado.



Embora sejam considerados eficazes e seguros por vários estudos científicos, os probióticos trazem preocupação a órgãos reguladores como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), principalmente pela complexidade do microbioma onde eles atuam.


Em contrapartida, estudos mostram que existem situações em que é melhor evitá-los. Um desses estudos, publicado na revista no Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS), concluiu que as bactérias presentes nos probióticos são, sim, saudáveis para algumas pessoas. Mas em alguns casos é capaz de prejudicar a saúde.


A justificativa para a diferença nos resultados está relacionado à integridade do epitélio intestinal. Uma vez que a barreira intestinal tenha sido danificada, os probióticos podem ser prejudiciais como qualquer outra bactéria patobionte, e dessa forma prejudicar as funções intestinais.

Ao optar por um tratamento com probiótico, é importante esclarecer o efeito desejado para a saúde e, assim, escolher o produto que contenha as bactérias mais adequadas para cada situação. Os probióticos não devem ser indicados como uma fórmula pronta, e sim, de uma forma individualizada.


*O conteúdo deste blog é para fins educacionais e não se destina a oferecer aconselhamento médico pessoal. Você deve consultar o seu médico ou outro profissional de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter em relação a uma condição médica. Nunca desconsidere o aconselhamento médico profissional ou demore em procurá-lo por causa de algo que você leu neste blog. Não recomendamos nenhum produto.


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Fontes:


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Harvard School Public Health https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/microbiome/


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