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O que é a Síndrome do Intestino Irritável?

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um distúrbio comum que afeta o intestino grosso. Um quadro onde há uma microbiota em disbiose, favorece aparecimento de vários sintomas gastrointestinais. A SII é definida como um distúrbio com sintomas colônicos crônicos ou recorrentes sem uma etiologia definida. Os sinais e sintomas incluem cólicas, dor abdominal crônica ou recorrente, distensão abdominal, muco nas fezes, gases e diarreia e prisão de ventre ou uma combinação deles.


Existem fatores de risco que podem agravar a situação. Esses sintomas podem piorar devido a ingestão de alguns alimentos, ansiedade, estresse, depressão e fadiga.



pessoa com dor abdominal


O que sabemos sobre a Síndrome do Intestino Irritável (SII)


Um número crescente de doenças está associado ao desequilíbrio da microbiota intestinal, como a Síndrome do Intestino Irritável (SII) e as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) contribuindo tanto para o próprio desenvolvimento da doença, como também para a sua gravidade.


A síndrome de intestino incide sobre boa parte da população mundial e está hoje entre as principais ameaças ao bem-estar humano, que aflige cerca de 20% da população mundial. Em países ocidentais, esse índice pode chegar a 25% e é três vezes mais comum entre as mulheres.



Principais causas e sintomas da SII


Não há atualmente nenhuma causa conhecida para o desenvolvimento da SII. No entanto, há evidências crescentes que sugerem que pode haver um fator psicológico, onde há uma relação entre o cérebro e o trato gastrointestinal. Em alguns casos, essa desconexão resulta em espasmos e cólicas intestinais.

Com base nos sintomas de evacuação, existem três subtipos principais de SII: aquele com constipação predominante (SII-C), diarreia (SII-D) ou ambos (SII-M). Cerca de 80% dos pacientes com SII também sofrem de ansiedade ou depressão, e apresentam alterações na motilidade intestinal, que geralmente é aumentado pelo estresse. Isso se deve ao eixo intestino-cérebro, uma conexão direta entre nosso cérebro e intestino através do nervo vago e neurotransmissores.



Qual a relação existente entre o eixo intestino-cérebro, causas e sintomas da SII?


O eixo intestino-cérebro vem sendo alvo de estudos a fim de elucidar as causas de algumas doenças e potencializar tratamentos para desordens gastrointestinais, como a SII. E é através do nervo vago que grande parte dessa conexão intestino-cérebro acontece! Ele é uma via neural de comunicação entre o cérebro e demais órgãos, com o nosso querido intestino. Sinais eferentes saem do cérebro em direção ao intestino, e as fibras aferentes do nervo vago mandam sinais do intestino para o cérebro, formando uma via de mão dupla entre esses órgãos.

Essa via permite a conexão de áreas cognitivas e emocionais do cérebro com algumas funções intestinais relacionadas a permeabilidade intestinal, imunidade, e sinalização enteroendócrina, o que nos ajuda a compreender as desordens do eixo intestino-cérebro.


Por isso, evidências crescentes demonstram que o desequilíbrio da microbiota intestinal altera as respostas imunológicas, do metabolismo, além da permeabilidade intestinal, levando a um estado pró-inflamatório.

Os cientistas acreditam que a causa mais provável são fatores nutricionais e de estilo de vida. Há fortes evidências de que a disbiose do microbioma intestinal desempenha um papel significativo na SII. As evidências incluem o uso excessivo de antibióticos, infecção, colonoscopia (preparação intestinal) e SII pós-infeccioso. As infecções que têm sido associadas com o aparecimento da SII incluem Giardíase, Campylobacter e cepas de Escherichia coli produtoras de toxinas específicas.

Como funciona o tratamento da SII?


Atualmente não há nenhum tratamento que vise a cura da SII, contudo uma proporção significativa dos pacientes vivenciam uma remissão espontânea ao longo do tempo, com o auxílio de intervenções nutricionais e alterações no padrão dietético.


A utilização de probióticos pode melhorar e aliviar os sintomas da SII em alguns pacientes. Lembrando que os probióticos não devem ser indicados como uma fórmula pronta, e sim, de uma forma individualizada, conforme indicação do profissional da saúde. Além disso, cada portador de SII deve manter uma dieta muito específica que garantirá a colonização eficaz das cepas e a contribuição funcional adequada para a saúde do microbioma intestinal.

Certas dietas podem aliviar alguns sintomas de alguns pacientes. A dieta mais recomendada pelos nutricionistas é a baixa ingestão de FODMAP. No entanto, mesmo quando funciona, a maioria dos pacientes acha difícil mantê-la por muito tempo.

Mudanças no estilo de vida e na dieta, demonstraram melhorar alguns sintomas, especialmente a constipação. As evidências também sugerem que os sintomas podem ser melhorados excluindo ou evitando certos alimentos que “desencadeiam” ou pioram a diarreia, inchaço e gases, como vegetais crucíferos e legumes.

Mas como saber se você possui essa condição?

Nem sempre o diagnóstico de doenças complexas (intestinais) é fácil, e ainda envolve muitos aspectos da observação clínica do paciente, da experiência do profissional da saúde e normalmente são necessários exames complementares. A possibilidade de utilizar testes inovadores têm proporcionado um grande passo para o conhecimento sobre o microbioma intestinal, permitindo diagnósticos mais precisos e individualizados.

Você tem alguma dessas queixas também? Se cuide, procure uma avaliação profissional e conte conosco se precisar!


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