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Variáveis, Covariáveis e Fatores Confundidores: Como Eles Influenciam Estudos de Microbioma

  • 11 de jun.
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

Entenda o papel das variáveis na pesquisa em microbioma e descubra como obter resultados mais robustos e confiáveis.

Milena Moraes


Por Marina Amorim

Bióloga, Mestre em Neurociências e Assistente em Gestão de Projetos e Clientes na BiomeHub.



Neste postblog será abordado:



Ilustração de um funil para representar a análise do estudo de micorbioma

Como Variáveis, Covariáveis e Fatores Confundidores Moldam sua Pesquisa

Durante o planejamento do seu projeto de pesquisa, uma das etapas importantes é definir quais variáveis serão consideradas ao longo do estudo. Esta decisão influencia a qualidade das análises, o tamanho amostral, a interpretação de resultados e a robustez das conclusões obtidas.


Em estudos de microbioma humano essa etapa é ainda mais crítica. A composição das comunidades microbianas é influenciada por diversos fatores biológicos, ambientais e comportamentais, tornando a análise dos dados particularmente complexa. Nesse contexto, a escolha adequada das variáveis fará toda a diferença na identificação de padrões relevantes e na redução de vieses analíticos.


Neste blog, vamos descomplicar os conceitos de variáveis, mostrando a sua correta classificação e o impacto de cada uma delas para que você possa planejar seu estudo com o máximo de eficiência e rigor científico.



O que são variáveis de comparação?

Variáveis de comparação são os fatores ou características utilizados para diferenciar e comparar grupos de amostras ao longo das análises estatísticas. Essas informações permitem identificar possíveis diferenças na composição e na diversidade do microbioma entre condições experimentais distintas.


No contexto de uma pesquisa, estas representam as principais variáveis independentes. Ou seja, são os fatores utilizados nos modelos estatísticos para investigar diferenças biológicas entre grupos, tratamentos ou momentos experimentais.


Exemplos:

  • Controle vs. Tratamento;

  • Placebo vs. Produto Ativo / Fármaco;

  • Tempo 1 (Antes da intervenção) vs. Tempo 2 (Após a intervenção).


Nos projetos realizados com a Biomehub, nossa equipe utiliza prioritariamente dados do sequenciamento do microbioma  para estabelecer comparações entre diferentes momentos temporais, grupos ou categorias associadas às amostras.


Classificação das Variáveis 

No contexto de estudos de microbioma e análises estatísticas, as variáveis podem ser classificadas de acordo com o tipo de informação que representam.


Variáveis Qualitativas X Quantitativas


Covariáveis 

Além das variáveis principais de comparação, alguns estudos podem incluir informações adicionais chamadas covariáveis.

Covariáveis são fatores que, embora não representem o foco central da pesquisa, podem influenciar na composição do microbioma e introduzir variabilidade nos resultados. Muitas dessas informações são obtidas por meio dos metadados clínicos e demográficos coletados dos participantes, como, por exemplo:


  • Idade

  • Sexo

  • Peso corporal

  • Histórico de uso de medicamentos


Ao incluir covariáveis nas análises, é possível reduzir o impacto de diferenças individuais entre os participantes e isolar com maior precisão o efeito das variáveis de interesse principal.

Por exemplo, diferenças observadas entre grupos podem estar relacionadas à idade dos participantes e não necessariamente ao tratamento avaliado. Nesse contexto, a inclusão da idade como covariável permite controlar estatisticamente esse efeito, contribuindo para interpretações biológicas mais robustas e confiáveis.


No entanto, a seleção de covariáveis deve ser realizada de forma criteriosa. Embora a inclusão dessas informações possa aumentar a precisão das análises, ajustar os modelos para um número excessivo de fatores pode reduzir o poder estatístico do estudo e dificultar a identificação de efeitos reais. Por isso, as covariáveis devem ser escolhidas com base em evidências biológicas, conhecimento prévio do tema e objetivos da pesquisa.

É recomendável incluir:


  • Fatores reconhecidamente relacionados ao microbioma: variáveis cuja influência sobre a composição microbiana já está bem estabelecida na literatura científica, como uso prévio de antibióticos, idade, dieta ou outras exposições relevantes para o contexto do estudo.

  • Fatores desequilibrados entre os grupos comparados: quando uma característica apresenta distribuição muito diferente entre os grupos avaliados, seu efeito pode ser confundido com o da variável de interesse. Nesses casos, o ajuste estatístico pode ajudar a reduzir esse potencial viés experimental.


Quais variáveis devem ser evitadas?


  • Fatores medidos após a intervenção: variáveis coletadas depois do início do tratamento ou da condição estudada podem representar consequências da própria intervenção. Ajustar para esses fatores pode mascarar ou distorcer os efeitos biológicos que se pretende avaliar.

  • Fatores sem representatividade amostral (Baixo N): quando determinada categoria está presente em um número muito reduzido de participantes, o modelo pode não ter informações suficientes para estimar adequadamente seu efeito. Nesses casos, a inclusão da variável pode aumentar a instabilidade das análises sem contribuir para a interpretação dos resultados. Por exemplo, se o seu estudo tem 50 mulheres e apenas 5 homens, o seu modelo não tem dados suficientes para aprender com a variável sexo. Nesses casos, não é indicado ajustar para essa categoria.


Atenção ao tamanho amostral

A quantidade de covariáveis incluídas no modelo também deve ser compatível com o número de participantes do estudo. Em estudos com tamanho amostral reduzido, o excesso de variáveis de ajuste pode aumentar a complexidade do modelo e diminuir sua capacidade de identificar associações reais. Em estudos com até 50 participantes, geralmente recomenda-se utilizar no máximo duas ou três covariáveis de ajuste, priorizando aquelas com maior relevância biológica e potencial de influência sobre o microbioma.



Fatores Confundidores

Fatores confundidores (também chamados de fatores de confusão) são variáveis externas que podem influenciar tanto a condição avaliada no estudo quanto a composição do microbioma, interferindo nos resultados das análises.

Quando esses fatores não são identificados ou controlados adequadamente, podem gerar associações estatísticas equivocadas, levando a interpretações biológicas incorretas ou imprecisas. Por isso, o registro dessas informações é fundamental para aumentar a confiabilidade das análises estatísticas e garantir interpretações mais robustas dos resultados.


Exemplos comuns em estudos de microbioma:

  • Uso recente de antibióticos

  • Mudanças drásticas na dieta

  • Diferenças no método de coleta ou armazenamento: 

  • Tabagismo e Internações hospitalares recentes.


Por exemplo, alterações observadas no microbioma intestinal podem estar relacionadas ao uso recente de antibióticos, e não necessariamente ao tratamento ou condição investigada no estudo.


Entender a dinâmica entre variáveis de comparação, covariáveis e fatores confundidores é essencial para gerar resultados confiáveis em estudos de microbioma. Um planejamento adequado dessas variáveis ajuda a reduzir vieses, aumentar a robustez das análises e garantir que as conclusões reflitam, de fato, os fenômenos biológicos investigados.





Está planejando um estudo de microbioma ou buscando apoio para estruturar suas análises?


A equipe técnica da BiomeHub pode auxiliar em todas as etapas da pesquisa, desde o delineamento experimental, contribuindo para que seu projeto alcance resultados sólidos e cientificamente relevantes.


Fale com nossos especialistas e descubra como podemos apoiar sua próxima pesquisa em microbioma.





Referências:

ASCHENGRAU, A.; SEAGE III, G. R. Essentials of Epidemiology in Public Health. 4. ed. Burlington: Jones & Bartlett Learning, 2020.


FLETCHER, R. H.; FLETCHER, S. W.; FLETCHER, G. S. Clinical Epidemiology: The Essentials. 5. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2014.


GORDIS, L. Epidemiologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações, 2017.


STEYERBERG, E. W. Clinical Prediction Models: A Practical Approach to Development, Validation, and Updating. 2. ed. Cham: Springer, 2019.




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