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Como a microbiota intestinal influencia a secreção de GLP-1 e o metabolismo

Entenda o que é o GLP-1 e como a microbiota intestinal é essencial para a produção deste hormônio chave no controle do diabetes, obesidade e apetite.

Milena Moraes


Por Michele Rode

Farmacêutica, Doutora em Farmácia pela UFSC e Product Manager na BiomeHub.



Neste postblog será abordado:



homem preparando injeção de ozempic

O GLP‑1 é um hormônio chave no metabolismo e sua secreção depende diretamente da interação com a microbiota intestinal. Compreender essa relação abre caminhos para estratégias mais personalizadas no manejo do diabetes, obesidade e outras condições metabólicas, integrando nutrição e microbiota.


O que é GLP‑1?

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) é um hormônio que desempenha um papel fundamental no controle da glicose sanguínea. Ele é sintetizado e secretado principalmente pelas células L enteroendócrinas no intestino em resposta à ingestão de alimentos, especialmente carboidratos e gorduras.


Esse hormônio exerce seus efeitos se ligando ao receptor de GLP-1 (GLP-1R), que é amplamente distribuído no corpo, incluindo o pâncreas, cérebro, coração, vasos sanguíneos e rins.


As principais funções do GLP-1, incluem:


  • Regulação da glicose: o GLP-1 controla os níveis de açúcar no sangue ao estimular a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas e ao suprimir a liberação de glucagon pelas células alfa.

  • Controle do apetite: ele atua no sistema nervoso central promovendo a saciedade e reduzindo o apetite.

  • Efeitos gastrointestinais: o GLP-1 retarda o esvaziamento gástrico auxiliando na absorção de nutrientes.


Como a microbiota estimula a secreção de GLP‑1?

A microbiota é necessária para uma secreção fisiológica normal de GLP‑1, agindo principalmente através da produção de metabólitos que estimulam ou inibem a secreção do hormônio pelas células L do intestino.


  1. A fermentação das fibras produz AGCCs (ácidos graxos de cadeia curta), como acetato, propionato e butirato. Esses metabólitos se ligam aos receptores acoplados à proteína G, especificamente o FFAR3 e o FFAR2, localizados na superfície das células L estimulando a secreção de GLP-1.


  2. As bactérias intestinais transformam os ácidos biliares primários (como o ácido litocólico e o desoxicólico) em ácidos biliares secundários. Os ácidos biliares secundários ativam o receptor TGR5 nas células L estimulando a liberação de GLP-1.


  3. A microbiota intestinal também ajuda a manter o ritmo de secreção do GLP-1. O equilíbrio da microbiota intestinal é essencial para que os genes do "relógio biológico" funcionem corretamente, garantindo os picos de liberação de GLP-1. Estudos com camundongos sem microbiota (germ-free) ou modelos com microbiota depletada por antibióticos demonstram que, na ausência de microrganismos, o ritmo circadiano de secreção de GLP-1 desaparece. A secreção pode ser recuperada através do transplante de microbiota fecal de doadores saudáveis.


Manter uma microbiota intestinal diversa, produtora de AGCCs e com menor inflamação tem sido associado à secreção normal de GLP‑1.

Além disso, algumas pesquisas têm identificado que os indivíduos que apresentam resistência ao tratamento com análogos de GLP‑1 possuem composições diferentes de microbiota intestinal, mas os dados são preliminares e ainda não há assinaturas validadas para predição da resposta clínica. A expectativa é que, no futuro, a escolha e o ajuste de terapias com agonistas de GLP‑1 possam ser individualizados com base no perfil da microbiota intestinal, ampliando a eficácia do tratamento.


A interação entre microbiota intestinal e secreção de GLP-1 reforça que o eixo intestino–metabolismo é altamente integrado. Avaliar a composição e a funcionalidade da microbiota pode contribuir para compreender variações na secreção endógena de GLP-1. A incorporação desses dados à abordagem nutricional e metabólica representa um caminho promissor para estratégias mais precisas e individualizadas no manejo de condições metabólicas.



Como identificar as bactérias na microbiota intestinal?

A identificação de bactérias na microbiota intestinal para guiar estratégias terapêuticas mais assertivas pode ser feita através do sequenciamento de DNA das fezes, como o exame PRObiome Plus.


Ficou com alguma dúvida? Nossa equipe está aqui para ajudar! Entre em contato conosco e receba a ajuda que precisa.




Referências:

Effects of GLP-1 Analogues and Agonists on the Gut Microbiota: A Systematic Review. Nutrients. 2025. Gofron KK, Wasilewski A, Małgorzewicz S.


GLP-1 Receptor Agonists Modulate Blood Glucose Levels in T2DM by Affecting Faecalibacterium Prausnitzii Abundance in the Intestine. Medicine. 2023. Liang L, Rao E, Zhang X, et al.


Gut Microbiota and GLP-1. Reviews in Endocrine & Metabolic Disorders. 2014. Everard A, Cani PD.


Effects of GLP-1 Receptor Agonist on Changes in the Gut Bacterium and the Underlying Mechanisms. Scientific Reports. 2021. Kato S, Sato T, Fujita H, Kawatani M, Yamada Y.


Glucagon-Like Peptide 1 in Health and Disease. Nature Reviews. Endocrinology. 2018. Andersen A, Lund A, Knop FK, Vilsbøll T.


Crosstalk Between Glucagon-Like Peptide 1 and Gut Microbiota in Metabolic Diseases. mBio. 2024. Zeng Y, Wu Y, Zhang Q, Xiao X.

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