Pesquisa Clínica: o estudo da BiomeHub que mapeou a microbiota intestinal das crianças brasileiras
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Uma pesquisa pioneira sobre a microbiota infantil brasileira, com dados nacionais que ampliam o conhecimento e apoiam a prática clínica na saúde infantil.

Por Marina Amorim
Bióloga, Mestre em Neurociências e Assistente em Gestão de Projetos e Clientes na BiomeHub.
Neste postblog será abordado:

A microbiota intestinal desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e na saúde infantil, estabelecendo-se e se transformando intensamente nos primeiros anos de vida. Embora já se saiba que fatores como alimentação, uso de antibióticos, via de nascimento, ambiente e estilo de vida influenciam sua composição durante esse período, ainda há poucos dados sobre a microbiota intestinal em crianças entre 3 e 12 anos de idade.
As diferenças de hábitos alimentares, condições ambientais e aspectos socioculturais entre países também podem resultar em perfis microbianos distintos, reforçando a importância de estudos específicos para cada população.
A escassez de dados locais sobre o microbioma sempre foi um desafio para os profissionais de saúde.
Afinal, como saber se a microbiota de uma criança está em equilíbrio se não conhecemos qual é o padrão saudável para essa população específica?
Foi para preencher essa lacuna e garantir uma interpretação clínica muito mais precisa que o projeto “Avaliação dos perfis de microbiota intestinal de crianças saudáveis de 3 a 12 anos“ foi desenvolvido pela BiomeHub.
A pesquisa clínica e o mapeamento da população infantil no Brasil
Entre 2023 e 2026, a BiomeHub conduziu uma pesquisa clínica com o objetivo de caracterizar o perfil da microbiota intestinal das crianças brasileiras saudáveis. O estudo contou com a participação de 128 crianças brasileiras sem condições crônicas, na faixa etária de 3 a 12 anos. O estudo foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), e os responsáveis legais assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Quando aplicável, os participantes também assinaram o Termo de Assentimento, respeitando sua capacidade de compreensão e participação na pesquisa.
As amostras foram coletadas de forma simples e não invasiva no ambiente domiciliar pelos próprios responsáveis legais. Através do sequenciamento genético em larga escala, foi possível mapear e caracterizar as bactérias presentes no intestino dessas crianças.
Mais do que gerar resultados individuais, o objetivo da pesquisa foi caracterizar a composição e a diversidade da microbiota intestinal de crianças brasileiras saudáveis e contribuir para a construção de uma base de dados populacional e anonimizada, representativa dessa população.
Principais descobertas sobre a microbiota infantil
A pesquisa revelou que o intestino das crianças brasileiras abriga uma comunidade microbiana altamente rica e diversificada. Dentre os diversos microrganismos mapeados, o estudo destacou a presença de bactérias associadas à saúde intestinal.
Um dos grandes destaques foi a Faecalibacterium prausnitzii, identificada como uma das bactérias mais prevalentes e abundantes na microbiota infantil, chegando a representar, em média, quase 10% de todas as bactérias de uma amostra.
Outro grupo muito importante e frequentemente encontrado em abundância no intestino saudável das crianças foi o gênero Bifidobacterium. O mapeamento dessas bactérias benéficas é um passo fundamental para guiar intervenções nutricionais e clínicas no futuro.
Da pesquisa à prática: aplicações dos dados do estudo
Entre as principais aplicações dos dados gerados neste estudo está o estabelecimento de Intervalos de Referência (IRs) específicos por faixa etária para o microbioma intestinal infantil. Esse avanço dá origem ao primeiro exame de microbioma intestinal no Brasil com Intervalos de Referência específicos por faixa etária, um marco que reforça o pioneirismo da BiomeHub na construção de parâmetros mais contextualizados para a interpretação do microbioma.
Mas o que isso significa na prática?
Assim como em exames de sangue tradicionais, os Intervalos de Referência servem como um balizador para a interpretação dos resultados.
Eles mostram qual é a faixa de distribuição "comum" de determinados grupos de bactérias em crianças saudáveis, levando em consideração que essa composição se modifica ao longo da infância e pode apresentar padrões distintos entre diferentes faixas etárias.
Os dados gerados pela pesquisa contribuíram para o estabelecimento dos intervalos de referência específicos para os exames de microbioma intestinal da linha PRObiome Kids da BiomeHub. Para a definição desses intervalos, foram utilizados dados populacionais anonimizados, gerados no estudo.
Esses intervalos funcionam como ferramentas de apoio à interpretação dos resultados e devem ser avaliados pelo profissional de saúde em conjunto com o contexto clínico, os sintomas, os hábitos e as características individuais de cada criança.
Compreender o microbioma infantil é ampliar o conhecimento sobre a saúde das crianças e criar novas possibilidades para a medicina preventiva. Ao incorporar dados gerados a partir de uma amostra representativa da população infantil brasileira, a linha PRObiome Kids da BiomeHub busca oferecer aos profissionais de saúde parâmetros mais contextualizados para a interpretação do microbioma intestinal, contribuindo para uma avaliação mais individualizada, baseada em dados e fundamentada em rigor científico.
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A BiomeHub oferece serviços especializados para projetos de pesquisa clínica, apoiando diferentes etapas do estudo, desde o planejamento e processamento das amostras até o sequenciamento, análises de bioinformática e interpretação dos dados.
Integramos ciência, tecnologia e análise de dados para gerar resultados robustos e ampliar o conhecimento sobre o microbioma e suas aplicações em saúde.



