A Influência da dieta na modulação intestinal

Atualizado: 20 de Out de 2020

A microbiota existente nos seres humanos é resultante de anos de evolução de uma relação simbiótica. Essa relação nos trouxe inúmeros benefícios, incluindo proteção contra patógenos, manutenção da integridade da barreira intestinal, metabolização de nutrientes e medicamentos, síntese de vitaminas (K e B12) e produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC).


Pessoas comendo alimentos saudáveis e fast food.

O trato gastrointestinal humano apresenta diferentes composições de espécies bacterianas, sendo estas definidas geneticamente e/ou por características individuais e ambientais. Cada indivíduo possui uma microbiota intestinal única, composta de bactérias distintas, em sua maioria não patogênicas que são que são herdadas do hospedeiro, adquiridas no nascimento e que se desenvolve de acordo os hábitos de vida, uso de medicamentos, estresse e, até, a localização geográfica.


A utilização de antibióticos, sedentarismo, quimioterapia para o câncer e processos infecciosos do trato gastrointestinal (TGI) podem alterar permanentemente ou transitoriamente o ecossistema intestinal. Outro fator importante na alteração da microbiota intestinal é a dieta.


Nossa alimentação pode afetar a sobrevivência e metabolismo dessas bactérias, causando alterações no padrão de colonização bacteriana e gerando processos inflamatórios no nosso organismo. Logo, uma microbiota intestinal saudável e equilibrada resulta em um desempenho normal das funções fisiológicas, o que irá assegurar melhoria na qualidade de vida.

Uma produção elevada de substâncias inflamatórias no organismos favorece o aparecimento de diversas doenças, como câncer, doença inflamatória intestinal, obesidade, entre outras. Os compostos bioativos* da dieta têm um papel fundamental na imunomodulação da microbiota.


Estudos demonstraram que tanto a ingestão dietética quanto a microbiota intestinal são fontes de micronutrientes essenciais ao funcionamento do sistema imune.


A dieta influencia a atividade metabólica e a composição da microbiota intestinal, tendo um efeito sobre as respostas imune e inflamatórias, com consequências para a saúde. Em uma dieta com pouco consumo de fibras a microbiota intestinal passa a degradar o muco presente na barreira intestinal aumentando a susceptibilidade a patógenos.


Alimentos ultraprocessados, industrializados, adoçantes, emulsificantes, a dieta ocidental (tipicamente constituída por alto consumo de carne vermelha, gordura animal, açúcar e pobre em fibras), fornecem menores quantidades de fibras, levando à menor produção de ácidos graxos de cadeias curtas pela microbiota intestinal, sendo estes produtos imunomoduladores essenciais. O consumo desses alimentos podem ter um impacto negativo na saúde, sendo parcialmente responsável pela obesidade e outras doenças crônicas.


O consumo dos alimentos ultraprocessados pode levar à modificação da microbiota intestinal, causando desequilíbrio, gerando um processo inflamatório e, consequentemente, um intestino hiperpermeável.

Com a permeabilidade intestinal aumentada podem ocorrer alterações clínicas como:

  • diarreia (associada a infecções ou ao tratamento por antibióticos),

  • alergia alimentar,

  • eczema atópico,

  • doenças inflamatórias intestinais,

  • artrite, entre outras.


Além disso, é provável que o intestino sofra uma redução na capacidade de absorção de nutrientes importantes e uma carência de vitaminas, principalmente do complexo B, além de vitaminas A, C e D.