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Uso de probióticos em bebês prematuros


Bebê prematuro hospitalizado

Microbiota intestinal em bebês prematuros e a termo

A colonização do intestino humano e a formação da microbiota intestinal é resultado de um processo dinâmico que envolve diferentes microrganismos.


O parto é um dos fatores do início da vida que influencia fortemente o desenvolvimento da microbiota intestinal. Recém-nascidos a termo, que nascem entre 37 e 42 semanas de gestação, de parto natural possuem uma microbiota com baixa diversidade e a predominância dos gêneros Bacteroides e Bifidobacterium. À medida que a alimentação é introduzida, a diversidade aumenta gradativamente.


No entanto, esse processo de desenvolvimento e maturação da microbiota intestinal infantil é drasticamente alterado em recém-nascidos prematuros.

Bebês prematuros têm um microbioma intestinal imaturo, com diversidade reduzida e maior abundância de bactérias potencialmente patogênicas como o gênero Staphylococcus e a família Enterobacteriaceae.




Probióticos promovem a maturidade da microbiota intestinal em bebês prematuros

probióticos para uso em recém-nascidos

Um estudo realizado no Canadá investigou o impacto do uso de probióticos no processo de desenvolvimento da microbiota intestinal e do sistema imunológico em 57 recém-nascidos prematuros, com menos de 29 semanas de gestação.


A partir de duas semanas após o nascimento, 26 bebês começaram a receber um tratamento com uma combinação de probióticos contendo quatro cepas de Bifidobacterium (B. breve HA-129, B. bifidum HA-132, B. infantis HA-116 e B. longum HA-135) e uma cepa de Lacticaseibacillus (L. rhamnosus HA-111).



Ao analisar as fezes dos recém-nascidos, os pesquisadores detectaram a presença de todas as cepas probióticas durante as semanas de tratamento. Além disso, as cepas de Bifidobacterium foram identificadas até seis meses após o término do tratamento, indicando a capacidade de colonizar o intestino dos bebês prematuros.


Dessa forma, os pesquisadores decidiram avaliar como a presença dessas cepas probióticas impacta a microbiota intestinal. Eles observaram que a administração do probiótico acelerou o desenvolvimento da microbiota intestinal para um estágio de maior maturidade, o qual é caracterizado pela maior abundância do gênero Bifidobacterium.


Isso porque 36% dos bebês prematuros que receberam o probiótico apresentaram maior aumento na abundância desse gênero em apenas duas semanas de tratamento, enquanto as crianças do grupo controle, que não receberam o probiótico, permaneceram em um estágio de microbiota mais imaturo, com a maior abundância de bactérias potencialmente patogênicas.


Ainda, os pesquisadores observaram que o uso do probiótico em prematuros também foi capaz de alterar o perfil de metabólitos presentes no trato gastrointestinal. O uso de probióticos acelerou a maturação do metaboloma intestinal dos recém-nascidos prematuros.


Na microbiota madura foram observados níveis reduzidos de 3-nitrotirosina, que é um metabólito marcador de dano celular, inflamação e produção de óxido nítrico, e que é encontrado em níveis elevados em doenças inflamatórias, como a Enterocolite Necrosante (ECN), um quadro inflamatório grave comum em prematuros.


Metaboloma é o conjunto dos metabólitos encontrados em uma célula, tecido, órgão ou organismo. Metabólitos são moléculas que participam do metabolismo. A análise do metaboloma pode fornecer informações valiosas sobre o estado de saúde.

Com a finalidade de determinar o efeito do uso de probiótico na imunidade, foram medidos também os níveis de citocinas presentes nas fezes dos recém-nascidos. Isso porque as citocinas são importantes moléculas reguladoras da atividade do sistema imune.


Assim, observou-se que a maturação da microbiota intestinal induzida pelo uso de probiótico reduziu os níveis de citocinas pró-inflamatórias presentes nas fezes dos bebês. O uso de probiótico foi capaz de reduzir os níveis de citocinas pró-inflamatórias importantes, incluindo calprotectina, IFN-g, IL-12p70 e IL-4, enquanto gerou o aumento de IL-22.


No intestino, a molécula IL-22 exerce funções geralmente protetoras, como manutenção da função de barreira e regeneração de lesões teciduais.

Desse modo, a utilização de cepas bacterianas probióticas se mostrou benéfica para o desenvolvimento e maturação do microbiota intestinal de recém-nascidos prematuros, melhorando parâmetros metabólicos e imunológicos.


Esses resultados são promissores e mostram o potencial dos probióticos como uma estratégia para promover o desenvolvimento saudável da microbiota intestinal e fortalecer o sistema imunológico de bebês prematuros.


Os exames que possibilitam a identificação das bactérias presentes na microbiota intestinal através do sequenciamento de DNA, como o PRObiome, podem ser correlacionados com as informações clínicas, auxiliando na conduta personalizada dos pacientes. Além disso, podem auxiliar no acompanhamento frente às terapias e estratégias de modulação da microbiota intestinal.


Procure o seu médico ou nutricionista e converse sobre como este exame pode ajudar a cuidar da sua saúde de forma mais precisa.



Fonte:


SAMARA, JUMANA et al. Supplementation with a probiotic mixture accelerates gut microbiome maturation and reduces intestinal inflammation in extremely preterm infants. Cell Host & Microbe. 2022. https://doi.org/10.1016/j.chom.2022.04.005


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