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A influência da modulação intestinal no estado de saúde de pacientes oncológicos

A colonização pela microbiota intestinal tem início com o nascimento e é alterada ao longo da vida, resultado das interações entre os processos fisiológicos do hospedeiro e os microrganismos e o ambiente. A microbiota intestinal tem sido área de pesquisa crescente por ter implicações na carcinogênese, podendo promover, prevenir ou até mesmo influenciar os resultados terapêuticos, o que realça a complexa relação entre a microbiota e o hospedeiro.


alimentos saudaveis e o laço amarelo representando conscientizacao do cancer

Um estudo publicado na revista científica Jama Oncology aponta uma conexão entre a microbiota intestinal e a resposta do organismo à imunoterapia, à quimioterapia e até mesmo às cirurgias para extrair tumores malignos. O trabalho conclui que uma microbiota em equilíbrio favorece o sucesso das mais diversas estratégias terapêuticas. Em compensação, os cientistas encontraram elevada frequência de disbiose intestinal, isto é, um desequilíbrio nas populações de microrganismos, justamente naqueles pacientes que perderam a guerra contra o câncer.


O nutricionista Matheus Souza (@matheusnutri), formado pela Universidade Estácio do Ceará, com Residência em Nutrição Oncológica pelo Hospital Israelita Albert Einstein, Pós Graduação em Oncologia pela Faculdade Israelita Albert Einstein, acompanha pacientes em tratamentos oncológicos há mais de dois anos. Recentemente, ele acompanhou um paciente com Adenocarcinoma de Pâncreas localmente avançado que encontrava-se em tratamento com quimioterápicos de segunda linha.


"Ele vinha sendo tratado com quimioterapia, mas por conta da toxicidade, perda de apetite, perda de peso e dor abdominal, a equipe médica sugeriu um intervalo para que o corpo pudesse se recuperar antes de iniciar uma nova abordagem. Na avaliação inicial foi referido diarreia, em torno de 5-6x/dia, e foi nesse momento que iniciamos o acompanhamento nutricional."

O nutricionista considera importante acompanhar a microbiota intestinal em pacientes em tratamentos oncológicos pois existem vários estudos mostrando o quanto a microbiota altera devido a doença, os tratamentos, modificações no padrão alimentar e diversas internações. Todo paciente oncológico deveria ser avaliado nesse sentido até para conseguir diferenciar o que é efeito adverso do tratamento e o que é sinal de disbiose. Além disso, em pacientes tratados com Imunoterapia, a microbiota deveria ser analisada de forma profunda, uma vez que a qualidade dela influencia diretamente na eficácia do tratamento.


intestino e as bacterias da microbiota intestinal

Sabendo da importância da microbiota intestinal, Matheus realizou em seu paciente o exame de microbiota intestinal. "Dois pontos importantes foram cruciais para que eu solicitar a realização do exame de microbiota intestinal: o primeiro era a diarreia, que era uma queixa importante e que vinha afetando a qualidade de vida dele; além disso algumas das drogas usadas no tratamento já são conhecidas por interferir na microbiota, por isso era importante avaliar como estava naquele momento."


Em alguns pacientes, embora a diarreia se apresente da mesma forma, não há alteração importante da microbiota. Nesses casos, a diarreia (ou constipação) se dá puramente pela ação da terapia antineoplásica (quimioterapia / radioterapia) e tende a se resolver espontaneamente. Para estes pacientes, uma dieta antifermentativa para diminuir o desconforto ou baixa em resíduos para auxiliar na regulação do trânsito intestinal podem ser eficientes.


Porém não é incomum casos como o deste paciente em que a baixa ingestão de nutrientes importantes somada aos efeitos do tratamento oncológico e diversas internações, podem afetar de forma importante o perfil da microbiota intestinal. Quando isso ocorre, a conduta nutricional é completamente diferente.


"Não é possível, apenas com sinais e sintomas, diferenciar uma coisa da outra. O objetivo de utilizar o PRObiome foi exatamente entender se aqueles sintomas eram reflexo pontual do tratamento, ou se havia algum comprometimento importante na microbiota que deveria ser o foco da minha conduta. Ao receber o exame, foi nítida a falta de diversidade, a presença em massa de bactérias pró inflamatórias e patogênicas e a ausência de bactérias importantes para uma microbiota saudável." explica o nutricionista Matheus Souza.

Com o resultado do PRObiome em mãos foi possível desenvolver uma estratégia nutricional personalizada para esse paciente. Em um primeiro momento, o foco foi na integridade da barreira intestinal e na oferta de prebióticos. Em um paciente com tantas evacuações por dia, o intestino costuma estar bastante inflamado, por isso o paciente não se beneficia tanto de probióticos, porque não há um ambiente favorável para que esses microrganismos se desenvolvam. "Além disso, o paciente já vinha utilizando probióticos indicados pela equipe médica, então não vi benefício em indicar o uso de mais probióticos naquele momento." explica Matheus.


capsula de suplementacao e alimentos saudaveis

No caso específico desse paciente, e baseado no perfil da sua microbiota intestinal, foi sugerido a utilização de um pool de fibras prebióticas, aminoácidos essenciais livres de glutamina. O objetivo da utilização das fibras foi estimular o crescimento de bactérias benéficas, promover um ambiente favorável e suprir a recomendação diária de fibras já que o paciente não estava conseguindo devido a perda de apetite; aminoácidos livres devido a baixa capacidade de absorção do intestino naquele momento e; glutamina para estimular a melhora da saúde dos enterócitos.


"Quando a gente fala de microbiota pros pacientes, as coisas parecem muito abstratas e fora do controle deles, então muitas vezes acabam por não dar tanta importância. Um exame mais objetivo e descritivo deixa tudo mais palpável e mais real. Ver um exame alterado dá ao paciente um estímulo para querer melhorar, assim como ver um exame bom dá uma sensação boa de recompensa e estimula a continuar melhorando."

Após um período de 3 meses seguindo o plano nutricional, o paciente apresentou melhoras significativas no seu estado de saúde geral. Clinicamente ele já não apresentava mais diarreia (2-3 evacuações por dia). A diarreia é algo que interfere diretamente na qualidade de vida e nos hábitos sociais do paciente, então só o fato de regular o intestino já é um ganho considerável. Mas além disso, o ganho de peso, a melhora do apetite, reflete numa melhoria global.


"De forma geral, eu costumo repetir o exame num intervalo de 3 meses se o primeiro tiver um resultado muito alterado, porque isso me faz ver se estou no caminho certo. Menos do que isso não dá pra ter uma diferença muito significativa. Mas isso muda de paciente a paciente; no caso dele, havia além do critério do tempo, um discreto ganho de peso e diminuição da quantidade de evacuações."

Baseado nessas melhoras clínicas, o paciente realizou um segundo exame de microbiota intestinal onde foi observado uma diferença muito grande num período curto de tempo. Muitas bactérias patogênicas sumiram (o paciente não fez uso de antibióticos no período), a microbiota estava com uma maior diversidade, menos inflamatória, e com um aumento de 15% das bactérias anti inflamatórias. Com os novos resultados foi possível realizar uma modificação na abordagem nutricional com alteração do perfil e na quantidade das fibras, além de um ajuste na oferta de glutamina e de aminoácidos e adição de posbióticos.


"Por enquanto continuamos no nosso padrão de avaliar a cada 3 meses, ainda mais porque o paciente segue em tratamento oncológico. Assim podemos acompanhar de perto e intervir no que for necessário em cada passo do tratamento. Dessa forma, os resultados obtidos servem como um apoio ao diagnóstico para o profissional da saúde, possibilitando que seja adotada uma conduta médica e nutricional precisa e individualizada para cada paciente”, complementa Souza.

A conversa com o nutricionista Matheus Souza traz uma nova perspectiva para o tratamento e acompanhamento de pacientes oncológicos. Conhecer os microrganismos que habitam o intestino do paciente e elaborar a dietoterapia para a melhora dessa microbiota já é uma realidade. O exame PRObiome pode ser um aliado na conduta clínica do médico ou nutricionista oncológico.


Você ainda possui alguma dúvida quanto a utilização do exame de microbiota intestinal? Tem alguma dúvida sobre o PRObiome? Entre em contato conosco, será um prazer lhe responder!



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